terça-feira, 13 de maio de 2014

Aulas e fórum apimentam o Ver-o-peso da Cozinha Paraense

                                   
Nem só de comida se faz um festival gastronômico. Aulas e fórum técnico garantem o sabor teórico da 12ª edição do Ver-o-peso da Cozinha Paraense (VOP). Nos dias 28, 29, 30 e 31 de maio, chefs de cozinha, nutricionistas e pesquisadores trocarão muito mais do que receitas com o público do festival. No total, serão 14 aulas e um fórum técnico no qual participarão cinco especialistas.

As inscrições para as aulas e para o fórum já estão disponíveis no endereço eletrônico do festival (veropesodacozinhaparaense.com.br). As aulas custam a partir de 40 reais e a entrada para o fórum será trocada por dois quilos de alimentos não perecíveis que serão doados a uma instituição de caridade. Para ambos, é necessária a inscrição prévia no site. Aulas e fórum ocorrerão no quarto piso do shopping Boulevard.

A programação teórica do VOP iniciará no dia 28 de maio, às 16 horas, com a aula “Vamos botar dendê nesse tucupi”, ministrada pela chef Emanuele Ribeiro e seguirá com as aulas “Comedores de Milho” e “A Mandioca na culinária funcional sem glúten e sem lactose”, ministradas pelos chefs Ricardo Frugoli e Michelly Murchio, respectivamente. As aulas misturarão teoria e prática e terão duração de 60 minutos, aproximadamente.

“A gastronomia funcional é a fusão dos princípios da gastronomia clássica associados aos conhecimentos sobre as propriedades nutricionais e medicinais dos alimentos em benefício, prevenção e manutenção da saúde. A mandioca foi eleita pela ONU como o alimento do século. Ela é uma excelente fonte de energia (carboidrato), é uma fonte de fibras e livre de glúten e pode gerar massa para macarrão, lasanha, cremes, purês, bolos, tortas e outros produtos. Isso facilita a digestão, evita picos de açúcar no sangue e dá gás de sobra para o dia a dia. Todos podem participar do curso para aprender algumas receitas saudáveis e conhecer dicas sobre alimentação funcional”, convida a chef Michelly Murchio.

No dia 30 de maio, as aulas ficarão sob a responsabilidade dos chefs Nazareno Alves, Thiago Castanho, Jussara Dutra e Leandro Pimenta. Os temas propostos são: “Açaí, um delicioso negócio”; “Pele de peixe”; “A Mandioca na Alimentação do Rio Grande do Sul desde os Índios Guaranis - Projeto Pesquisa em Gastronomia Regional” e “A Importância da Horta para a Gastronomia de MG desde o Império aos dias de Hoje”, respectivamente. Neste dia, as aulas iniciarão às 15 horas.

Nazareno Alves nasceu na cidade de Caracaraí, em Roraima. Chegou ao Pará em 1980 e encantado com a paixão do paraense por sua cultura, percebeu que o açaí poderia ser uma delícia de negócio. Atualmente, está à frente de três estabelecimentos, sendo dois conceituados restaurantes - Point do Açaí - e uma central de processamento de açaí. Sua inovação impactou positivamente a cultura gastronômica, fortalecendo a identidade e relação do paraense com sua cozinha e difundindo a culinária papa-chibé para todas as partes do mundo, ao servir o açaí ao modo tradicional paraense, com peixe frito e farinha d'água.

Thiago Castanho nasceu e cresceu em Belém, capital do Pará, em meio à selva amazônica brasileira. Filho de D. Carmem e “seu” Francisco, Thiago tomou gosto pela comida e ingredientes de sua terra quando seu pai resolveu transformar a sala de sua casa em um pequeno restaurante para sustentar a família. Hoje, com 25 anos, não só comanda o Remanso do Peixe, primeiro restaurante da família aberto em 2000, como também o Remanso do Bosque, inaugurado em 2011 à beira de um parque nacional e referência na cozinha paraense e amazônica. Em 2013, O Remanso do Bosque, dos irmãos Thiago e Felipe Castanho, foi o único restaurante brasileiro fora do eixo Rio-São Paulo a entrar na lista dos 50 melhores da América Latina, ranking da revista Restaurant.

Leandro Pimenta estudou no The Culinary Institute of America (CIA) em Nova Iorque e trabalhou com renomados profissionais, como o chef Thomas Keller. Em 2001 voltou ao Brasil e se mudou para São Paulo onde fez parte da equipe de profissionais como Christian Formon e Iná de Abreu. Atuou em diversos restaurantes, entre eles o Sopt, o Vítreo, o Mestiço e o Maní. Voltou para Belo Horizonte em 2007, passando pelo Aurora, The Art From Mars e Risoteria Sorriso. Hoje comanda a equipe do The L.A.B. (Minas Gerais).

Jussara Dutra coordenada o Grupo de Trabalho (GT) de Gastronomia Regional do Governo do Estado do Rio Grande do Sul Responsável pelo planejamento, organização, acompanhamento e execução de todas as atividades que envolvem o GT e também é coordenadora de Atividades e Pesquisa em Gastronomia e Chef de Cozinha do Palácio Piratini, em Porto Alegre, além de ser responsável pelo andamento de todas as áreas que envolvem a residência do Governador do Estado, trabalho que compreende o planejamento, a organização, acompanhamento e execução de todos os eventos com a presença do Governador, entre eles a elaboração dos cardápios do dia-a-dia do Governador e a coordenação da cozinha.

A programação para o último dia de aulas, 31 de maio, começará ainda mais cedo, às 10h30, com uma degustação de cafés, com o especialista João Carlston, gerente nacional da empresa 3 Corações. Às 11h30, a chef mirim, Carol Martin, ensinará receitas de massa e doce para crianças de 8 a 12 anos na aula “De pequena para pequenos”. Em seguida, o chef Claudemir Barros – eleito em 2013 o Chef do Ano pelo prêmio Melhores do Ano de Pernambuco, da revista Prazeres da Mesa - provocará o público com a aula “Shoyo ou Tucupi?” e a tarde a polêmica continua com a culinarista Dona Kalu que falará sobre “O Resgate da Culinária Ancestral dos Povos Indígenas do Norte Brasileiro” e ensinará receitas usando a mandioca e o tucupi preto.

“O tucupi preto é feito a partir do tucupi amarelo, que é fervido com plantas do lavrado roraimense até reduzir, adquirindo a cor preta e a consistência mais densa que um shoyo. Se o chef Paulo Martins tivesse conhecido diria que esse era o shoyo do século XXI, pois ele dizia que o tucupi seria o novo shoyo, antes de conhecê-lo”, explica Dona Kalu. A aula ministrada por ela iniciará às 15 horas.

Às 16 horas, o chef Ofir Oliveira, falará sobre “Arubé, o molho do Brasil”. O chef atua há mais de 40 anos no segmento de alimentos e bebidas, com experiência nacional e internacional. Dedicou-se nos últimos 20 anos a pesquisar a gastronomia amazônica, criando pratos como o Retumbão, Caça Falsa e revitalizando receitas e técnicas, a exemplo, o arubé, o molho mais antigo do Brasil já mencionado por Camara Cascudo e Nunes Pereira.

Ciência e cozinha serão os temas apresentados pelos espanhóis Pere Planagumà e Pere Castells, ainda no dia 31 de maio. A aula dos especialistas iniciará às 17 horas. Pere Planagumà é chef do Les Cols, em Girona, que tem duas estrelas Michelin. Pere Castells (cientista e gourmet), do Instituto Alicia, de Ferran Adriá.

A programação do sábado encerrará em seguida com a palestra “Pará: Nova Fronteira do Cacau Fino e Chocolate Gourmet”, ministrada pelo especialista Cesar Mendes. Segundo ele, a palestra será “uma abordagem sobre o cacau no Estado do Pará, considerada a nova fronteira agrícola do cacau”, define.

FÓRUM

O segundo dia do festival, 29 de maio, será marcado também pelo fórum técnico, um momento de aprofundamento do conhecimento, com o auxílio de cinco especialistas no tema "Mandioca e seus sub-produtos", eles representarão as áreas científica, gastronômica e produtiva. A organizadora do Ver-o-peso da Cozinha Paraense, Joanna Martins, explica que o objetivo geral do fórum é dar um panorama amplo, e aprofundar em alguns pontos, o uso da mandioca no Brasil, voltado para a gastronomia. Participarão do encontro a chef Jussara Dutra, a nutricionista Neide Rigo, a cozinheira tradicional Dona Kalu, o produtor Nelson Calderaro e o pesquisador Joselito Motta. O debate será mediado pelo chef Juarez Campos.

“A proposta é que Neide Rigo, pelo seu conhecimento técnico e gastronômico, apresente um panorama geral sobre o assunto que será aprofundado pelo Joselito Motta falando sobre os aspectos mais interessantes do cultivo e da produção da mandioca.. Dona Kalu falará sobre o uso da mandioca na Amazônia, enquanto Jussara Dutra apresentará seu uso na região sul. Ao produtor, Nelson Calderaro, caberá falar sobre o trabalho com a mandioca no país. Cada especialista terá vinte minutos para expor suas ideias e ao final, foram reservados, 60 minutos para que a conversa se estenda até a plateia”, detalha Joanna Martins.

Qualquer pessoa pode participar do fórum, no entanto, o público alvo do evento são estudantes e profissionais de gastronomia e das áreas de agronomia, turismo, nutrição, antropologia, sociologia e engenharia de alimentos. Estima-se que cem pessoas participarão do fórum que iniciará às 16 horas, no quarto piso do shopping Boulevard.

Além das aulas e fórum, a programação do VOP inclui exposição, circuito gastronômico e degustações envolvendo a população e profissionais de diversos segmentos da culinária nacional, local e até internacional. O encerramento, dia primeiro de junho, será marcado com a final do concurso Chef Paulo Martins e o projeto Chefs na Praça, realizado na praça Batista Campos.

Realizado pelo Instituto Paulo Martins e a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, com organização de Lilian Almeida e Regiane Britto – Coordenação de Eventos e Central Pirarucu. A edição de 2014 tem patrocínio institucional da Secretaria de Turismo/Governo do Pará, co-patrocínio institucional da Belemtur/Prefeitura de Belém, patrocínio estrutural da Assembleia Paraense, Boulevard Shopping, Senac, co-patrocínio estrutural da Leal Moreira, 3 corações, Tramontina, Sebrae e parceria do jornal O Liberal e Tv Liberal.

Texto: Aycha Nunes - Assessoria do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense
(Foto: Jean Barbosa)

Nenhum comentário:

Postar um comentário